No mês passado, em comemoração ao dia dos pais, a editora Aleph lançou dos livros de tirinhas que são dois verdadeiros mimos para os fãs de Star Wars e do personagem (maravilhoso) Darth Vader.
Trata-se de dois compilados de tirinhas publicadas anteriormente online, do cartunista americano Jeffrey Brown, no qual ele ilustra situações inusitadas da vida do vilão da série criada por George Lucas enquanto tenta criar seus gêmeos, Luke e Leia.
É claro que as situações são imaginárias, já que na saga original Luke e Leia são criados separadamente, não sabem que têm irmãos, muito menos que têm um pai que quer dominar a galáxia usando o lado negro da força.
Ambos os livros são um primor, as ilustrações são muito bonitas e detalhadas, a diagramação da edição brasileira está linda, e o humor é simples, atingindo crianças, jovens e velhos com a mesma precisão, mas sem nunca deixar de ser inteligente.
Para os fãs 'old school' da franquia Star Wars, o mais legal é ver frases e cenas célebres dos filmes em um contexto diferente, como na imagem abaixo.
'Darth Vader e Filho' foca a infância de Luke Skywalker e as dificuldades de Vader em cria-lo, Já em 'A Princesinha de Vader' o foco é a relação com a filha Leia, desde a infância, com chá de bonecas, até a adolescência, com as variações de humor e o namoro com Han Solo.
Isla (se pronuncia Aila) é tímida, ruiva e baixinha, está
para começar seu último ano no colegial, em uma escola americana em Paris. Desde
seu primeiro ano ela nutre uma paixão secreta por Josh, um garoto calado, que
passa a maior parte do tempo desenhando, e que até o ano passado era
comprometido.
Os dois personagens aparecem no primeiro romance da autora,
‘Anna e o Beijo Francês’, quando o leitor é apresentado a escola - SOAP, sua rotina, à
cidade de Paris, e aos encontros e desencontros amorosos desses jovens sonhadores e divertidos.
Porém, nesse novo livro, somos transportados à mente de
Isla, que só tem um amigo, Kurt, é a melhor aluna de seu ano, e, apesar disso,
não tem a menor ideia do que fazer com seu futuro. Através dos seus olhos
também podemos mergulhar na personalidade inquieta de Josh, que apesar de saber
muito bem o que quer fazer no futuro - ser cartunista - não dá a mínima pra escola e está sempre
descumprindo as regras, faltando as aulas, passando os fins de semana em outros países, etc.
A narrativa tem início quando, mais ou menos um mês antes das aulas começarem, os dois jovens se encontram em uma cafeteria em Nova York,
em uma noite chuvosa e em que Isla está sob o efeito de fortes analgésicos, e por isso, vence suas inseguranças e começa a conversar com sua paixão platônica de longa data. Os
dois conversam despreocupadamente, mas, nos dias que se seguem, Josh some da cidade, o que deixa Isla triste e preocupada.
Com o início das aulas os dois logo desenvolvem uma
amizade, que não demora a virar um amor louco, porém, antes de encontrarem seus
caminhos na vida e seus finais felizes, cada um deles têm de enfrentar seus
fantasmas pessoais, suas inseguranças e medos.
Stephanie Perkins constrói, nesse seu último livro, uma
trama mais simples do que em 'Anna e o Beijo Francês', porém com personagens mais complexas, cenas mais fortes, psicológicos mais perturbados, e
uma narrativa deliciosa, que faz com que o leitor não tenha vontade de largar o
livro.
Quando o médico e autor americano Michael Chrichton teve o primeiro vislumbre de uma história que envolvesse clonagem de animais extintos,em 1985, a história era muito diferente e era também um roteiro para cinema. Depois de abandonar a ideia inicial, Michael se concentrou em escrever um romance, no qual não se depararia com algumas limitações que o roteiro cinematográfico encontra (tempo, dinheiro, efeitos visuais, etc). Da primeira ideia só a clonagem de dinossauros sobreviveu e sua abordagem se ampliou para criar todo um universo emblemático, que poucos anos depois (1993), ele mesmo ajudaria a roteirizar para que Steven Spielberg transformasse em um dos grandes filmes de sua carreira.
No livro, publicado pela primeira vez em 1990, o paleontólogo Dr. Grant recebe um intrigante fax de um centro de pesquisa na Costa Rica. Uma garotinha americana, passando férias no pais, alegou ter sido mordida por um lagarto com uma estranha característica: ele se equilibrava em suas patas traseiras, de não cinco dedos, e sim apenas três. Pouco depois um biólogo consegue uma parte, já mastigada por um macaco, dessa nova espécie de lagarto. O raio- x dessa amostra é enviado ao Dr. Grant, que, com surpresa, o identifica como um pequeno dinossauro extinto a milhares de anos.
É então que começa nossa jornada até o Jurassic Park e ao centro da aventura. Ao contrário do filme, que se concentra apenas na ação e no suspense, o livro de Chrichton levanta questões muito relevantes sobre como o homem vem interferindo, arbitrariamente e só buscando lucros pessoais, na natureza, assim como a necessidade de se achar um novo paradigma que norteie a ciência do século XXI, tudo isso na figura de seu personagem mais interessante, o matemático Ian Malcoln.
Edição belíssima cortesia da Editora Aleph
Game of Thrones - George R. R. Martin
No primeiro livro da série 'Crônicas do Gelo e Fogo' (A Song of Ice and Fire), Martin introduz com muitos detalhes o leitor no mundo de Westeros, por ele criado. Somos apresentados, principalmente, a família Stark, que governa o Norte do reino desde os tempos primordiais, e a família Lannister, uma das mais antigas, rias e poderosas famílias dos Sete Reinos.
São muitos personagens e muitas diferentes histórias acontecendo paralelamente. Acho que o principal aqui é falar sobre a minha experiência com um livro tão aclamado, tão comentado. A escrita de Martin é herdeira de Tolkien, não só por criar mundos, criaturas, povos e até línguas novas, mas também pelo tom épico e pelo acesso de detalhes. Cada elemento que aparece na narrativa é descrito, às vezes, à exaustão.
Porém, é impossível não se deixar envolver pela história, pelos jogos de poder, pelas artimanhas e surpresas que ocorrem ao longo da leitura. Apesar de lenta, no fim, ela foi muito prazerosa.
Mal-entendido em Moscou - Simone de Beauvoir
Nessa novela longa, até então inédita no Brasil, Simone narra a história de um casal parisiense em sua segunda viagem à União Soviética da década de 60. Narrado todo em terceira pessoa, mas ora sob a perspectiva do marido, ora pela perspectiva da mulher, o conto tem o poder de nos transportar para a mente e a alma dessas duas personagens que estão passando por um momento de crise.
A crise é que ambos sentem o peso da idade, e percebem, frustrados, que já não são mais um casal de meia-idade, mais se aproximando de um casal idoso.
Além dos conflitos pessoais, que levam o casal a uma série de mal-entendidos, ainda há o conflito político vivenciado por André (o marido), que sempre acreditou em um ideal socialista, e se vê, frente a frente, com todos os absurdos soviéticos, que são contestados por sua filha, Macha, que vive no país e apoia o governo e suas medidas.
Apesar de muito breve, 'Mal-entendido em Moscou' suscita uma série de discussões profundas sobre diversos assuntos intrínsecos à condição humana, além de brilhantemente escrito.
A
autora australiana já havia me surpreendido com seu primeiro romance publicado
no Brasil – O Segredo do Meu Marido, mas com Pequenas Grandes Mentiras ela se
consolidou como uma das escritoras mais brilhantes e promissoras da atualidade.
Não
ache que Liane escreve livros ao estilo ‘chick lit’, que só podem agradar
mulheres, com situações bonitinhas e engraçadinhas. Na verdade, seus romances
não têm nada de diminutivos. São fortes, impactantes e envolventes. Seus personagens
são cheios de facetas, muito bem construídos, assim como os diálogos e
descrições. Não há espaço para enfeites desnecessários em sua prosa, assim como
não há informação irrelevante.
Pequenas
Grandes Mentiras conta a história de três amigas inusitadas. Jane é uma mãe
solteira de 24 anos que acaba de se mudar para a região praiana de Pirriwee.
Celeste é a mulher mais linda que todos já viram, mãe de gêmeos e casada com um
lindo milionário. Madeline é perua, adora comprar uma boa briga e mãe de duas
crianças, além de uma adolescente de seu primeiro casamento.
As
três logo formam um forte laço, e nós, leitores, acompanhamos a trajetória
dessas três mulheres fortes, mas que também têm um lado secreto, em que
escondem inseguranças, medos, traumas do passado e do presente. A autora aborda
com maestria as pequenas e grandes mentiras que cada um de nós contamos para
sobreviver. Sejam elas as mentiras que contamos para os outros ou as que
contamos para nós mesmos.
Desde
o primeiro capítulo sabemos que, no fim dessa história, ocorreu um assassinato
em uma festa da escola pública local, e ao final de cada capítulo temos relatos
de personagens secundários sobre o ocorrido. Essa estratégia é perfeita para
manter o leitor atento a cada detalhe, construindo a cada momento hipóteses:
quem morreu? Quem matou? Por que matou? Entre tantos outros mistérios que vão
surgindo conforme a leitura.
Em
resumo, Pequenas Grandes Mentiras é daqueles livros que você não quer largar,
cheio de surpresas e reviravoltas. Ao final você sente vontade de ler tudo
outra vez, sobre outra ótica. Assustadoramente bom.
Nicole Kidman e Reese Witherspoon adquiriram os
direitos da trama para transformá-la em uma série de tv, que ainda não tem data
de estreia, mas será transmitida pela HBO. Aguardemos.
Lara Jean sempre viveu
uma vida confortável e sem muitos problemas ao lado de seu pai obstetra e suas
duas irmãs, kitty, de nove anos, e Margot, a irmã mais velha, que desde de a
morte da mãe assumiu a incumbência de cuidar da casa. Margot sempre foi a irmã
racional, extremamente organizada e responsável.
Porém, Margot está de
mudança para a Escócia, onde fará a faculdade, e Lara Jean se vê obrigada a
assumir todas as responsabilidades da irmã mais velha – cuidar da casa, da irmã
mais nova, das compras de supermercado, etc.
Acostumada a não sair de
seu casulo, Lara Jean nunca se expôs e sempre guardou seus sentimentos só para
si. Para cada garoto que ela já amou ela escreveu uma carta, mas só quando quando queria acabar
com aqueles sentimentos. Ao terminar, fechou os envelopes, as endereçou e as guardou em uma caixa de chapéu
azul petróleo, presente da sua mãe falecida. Mas nunca as enviou. Até que um dia todas essas cartas somem e
são enviadas para esses garotos.
Lara Jean então tem que
confrontar seu melhor amigo, Josh (e namorado de Margot), e o garoto mais
popular da escola, Peter, que receberam suas cartas confessando seus sentimentos. E cada vez que tenta tornar as coisas mais fáceis,
elas ficam mais e mais enroladas, criando situações hilárias, fofas e
sensíveis, em uma história de amor não só entre garotos e garotas, mas também
entre irmãs e pais e filhos.
A relação entre as irmãs
Song, que tentam manter viva a memória da mãe coreana, é um dos pontos mais
legais do livro, não só pela relação muito bonita das meninas, mas também pelo
fato das garotas serem meio coreanas, algo pouco comum na literatura americana,
tão dominada por garotas louras, brancas, magras e populares.
Em resumo, ‘Para todos os
garotos que já amei’, é uma leitura prazerosa, rápida, e que faz a gente se
lembrar de porque gostamos tanto de histórias para adolescentes, cheias de
reviravoltas, casais inusitados, momentos de drama e claro, a escola
(personagem essencial). Eu, pessoalmente, me identifiquei muito com a personagem principal. Assim como eu Lara Jean é uma garota que gosta de ler, ficar em casa, lendo, vendo tv, fazendo bolos e tricô. Por ter gostado tanto dessa leitura eu a concluí em um único dia, algo extremamente raro.
Em um fim de semana de Julho, eu, mamãe e padrasto fomos visitar a pequena e fofa cidade mineira de Gonçalves, que fica no Sul do estado. A cidade é serrana, envolta em um mar de montanhas verdes e de araucárias.
Vale a pena visitar se você gosta de lugares friozinhos, aconchegantes e cheios de lugares com comidas gostosas - café passado na hora, bolos de vovó, queijos e outras guloseimas.
Nós nos hospedamos na pousada Trem das Cores, que tem casinhas para quatro ou mais pessoas, conta com lareiras nos quartos e uma cozinha com fogão à lenha!
A cidade também é um ponto de turismo ecológico e de aventura.
Orvalho pela manhã
Eu e mamãe junto as belas araucárias e o frio.
Belo achado em um café, obras completas de Monteiro Lobato, Eça de Queirós e Machado de Assis.
Essa
edição maravilhosa é a edição americana de luxo de Watchmen, e foi um presente
muito especial de aniversário que ganhei do meu namorado. Para os curiosos ele
comprou na Amazon.com e eu não sei quanto custou.
A edição
americana é muito mais caprichada que a edição brasileira, publicada pela
Panini. Ela tem uma jacket em soft-touch, a folha de guarda é toda amarela, e
as folhas de rosto também são muito caprichadas. Ao final de cada capítulo há algumas páginas que imitam publicações da época sobre cada herói (fac-símiles de revistas, jornais, arquivos, etc). As últimas páginas são dedicadas a esboços, arte conceitual, desenvolvimento de personagens e outros sketches.
Antes do
primeiro capítulo há um prefácio excepcional escrito pelo ilustrador Gibbons em
2013. Ele explica que tudo começou com Bob Dylan e a canção ‘Desolation Row’,
mais precisamente a frase “At Midnight all the agents and the superhuman crew. Come
out and round up everyone that knows more than they do” (algo como “À
meia-noite todos os agentes e o grupo de super humanos vêm e se juntam, todos
que sabem mais do que eles sabem”).
O
desenhista explica que quando watchmen surgiu, uma mera ideia, mal formada, em
1985, os quadrinhos eram uma forma de expressão à margem, algo de um nicho
muito específico e que a maioria dos críticos desconsiderava, como diversão
para crianças e nerds.
Watchmen é
um marco na história da HQ americana por quebrar todas essas ideias pré-concebidas
e expectativas. Originalmente publicada pela DC em 12 volumes de 1986 a 1987, o
quadrinho conta a história de um grupo de super-heróis (na verdade heróis
mascarados), que após anos lutando para manter a ordem em Nova York, se veem obrigados
a se aposentarem, pois heróis agora são considerados ilegais.
Alguns
desses heróis revelam suas identidades e passam a trabalhar para o governo ou
para empresas privadas e se tornam milionários. Outros nunca revelam sua
identidade e vivem uma vida comum. Apenas um deles continua a atuar, mesmo na
ilegalidade. Tudo começa quando o Comediante é assassinado e uma série de
investigações leva a crer que os heróis estão sendo eliminados, um por um.
Watchman é
marcante pelas suas discussões profundas sobre ética e moral, tanto pessoal quanto
cívica, além do seu alto grau de eruditíssimo. Não são poucas as referências à
filosofia, literatura, música, artes visuais, psicologia, religião, entre
outras áreas do conhecimento humano. Não é de se admirar que o quadrinho tenha
ganhado todos os prêmios de sua área como também alguns nas áreas de
literatura.
A famosa
frase “Who Watches de Watchmen?” é de uma sátira do poeta e retórico romano,
Juvenal: “Quis custodiet ipsos custodes”, ou seja “Quem vigia os vigilantes?”.
Dessa maneira a história de Alan Moore é um grande questionamento sobre o
poder, tanto da política e seus articuladores quanto às outras esferas de vigilância:
a mídia, os cidadãos e a própria noção de super-herói incorruptível e acima do
bem e do mal.
Wathchmen
se passa em um futuro alternativo em que Nixon levou os EUA à vitória contra o
Vietnã e está vivendo um momento de tensão extrema na Guerra Fria contra a
União Soviética. O clima nas ruas é pesado e toda a história é cheia de
desesperança quanto ao futuro, violência e apatia quando ao presente, o que
reflete perfeitamente o espírito (ou para ser mais douta, o zeitgeist) daquela
época.
Filme x
Quadrinho
O filme
baseado no quadrinho é de 2009 e foi dirigido por Zach Snyder (300, Batmans vs
Superman, Esquadrão Suicida) e está disponível no Netflix. Ele é visualmente
muito bem produzido, com frames que lembram ou então são reconstituições exatas
dos quadrinhos. Interessante ressaltar que quando Watchmen foi publicado, uma
de suas revoluções foi trazer uma montagem de imagens que lembravam os frames
do cinema.
Porém, o
final do filme tem um elemento completamente diferente do quadrinho. O final da
obra cinematográfica é uma saída mais fácil, tanto em termos de roteiro quanto
de montagem. Seria difícil filmar o mesmo final do quadrinho, assim como seria
bem mais difícil explica-lo para o público.
Na minha
opinião o final escrito por Moore é mais impactante e faz as questões morais e
éticas serem pensadas ainda mais profundamente. Watchmen é um quadrinho que você
precisa ler pelo seu peso no mundo da arte e da comunicação, e se você, como
eu, gosta de quadrinhos e cultura pop é uma leitura mais do que essencial.
Jornalista de formação. English Teacher por escolha. Bailarina e leitora de coração. Eu me perco, me escondo e me acho no meu mundo de letras, sons, sonhos e estrelas cadentes.