17 de julho de 2014

"Ultraviolence" - Lana del Rey (Music Review)


O segundo álbum de Lana del Rey era sem dúvida um dos lançamentos mais aguardados do ano. Após o imenso sucesso de seu trabalho de estreia, “Born to Die”, todos os críticos e fãs de música queriam saber se o sucesso e a inovação musical e imagética se manteriam.

“Ultraviolence”, título que faz referência à obra “Laranja Mecânica”, tem uma sonoridade mais crua em relação ao seu antecessor. Guitarras com um pouco de distorção, bateria e baixo, piano, muito pouco de batida eletrônica. O álbum bebe nas fontes ancestrais do blues e do jazz. A voz de Lana está ainda mais sussurrada e suave, e as letras continuam a falar de solidão, tristeza, loucura, amores não correspondidos ou bandidos.

Muitas vezes a cantora faz referência a ser ‘a outra’ na vida de alguém, além de fazer muitas referências e críticas ao estilo de vida norte americano, com festas, glamour, dinheiro, drogas e bebidas. Famosa também por fazer referências a outras artes, como a literatura, Lana não foge disso no novo trabalho. Além da faixa-título, ‘Brooklyin Baby’ fala sobre poesia Beat, Lou Reed e The Who, e várias faixas falam da mitologia judaico-cristã, tema que a cantora já explorou inclusive no curta “Tropico”.

Pode ser coincidência, mas os primeiros acordes de “Old Money” são idênticos ao da música tema de Romeu e Julieta. Mas Lana del Rey é uma grande artista que sabe exatamente o que significa cada coisa em seu trabalho, seja em suas músicas ou em seus vídeos.


Seja em suas entrevistas ou em suas letras (sempre polêmicas), o que realmente significa está nas entrelinhas. Quanto mais literalmente a interpretarmos, mais errados estaremos.





Fotos promocionais de "Ultraviolence".

15 de julho de 2014

"Simplesmente Ana' e 'Inferno'


Ana Carina Bernardes é uma garota mineira de 22 anos, estudante de direito na PUC de Belo Horizonte, que leva uma vida comum. Tem um estágio em um escritório de advocacia, um namorico com Artur e uma melhor amiga chamada Estela.  Ela mora com a mãe, dona de um buffet, e nunca conheceu seu pai. Tudo o que ela sabe é que ele não é brasileiro.

Um dia ela abre seu Facebook e tem uma mensagem de um homem dizendo: Acho que sou seu pai. Então Ana descobre que seu pai nunca soube de sua existência e que ele é rei de um país europeu (fictício) chamado Krósvia.

Depois de um pouco de drama, Ana resolve passar um tempo no país de seu pai, até ser apresentada como princesa herdeira do trono. Tudo muito bom até ela conhecer Alex, o enteado de seu pai. Ele é lindo, imprevisível e adora implicar com a nova “irmã”.

Claro que os dois desenvolvem uma mútua atração quase incontrolável, muita coisa dá errado, muitas coisas engraçadas acontecem, algumas tristes, e no fim tudo acaba bem.

“Simplesmente Ana” é o romance de estreia da brasileira Marina Carvalho, e é uma versão mais adulta de “O Diário da Princesa”, da americana Meg Cabot. A premissa é exatamente a mesma, mas o desenvolvimento do romance é diferente, assim como as descrições e diálogos. O que me incomodou no livro foi a escrita, principalmente a construção dos diálogos, pois eles são todos muito forçados e não naturais. A previsibilidade da história também atrapalha.


Mesmo com os defeitos, o livro tem feito sucesso entre as jovens brasileiras, e autora vai publicar pela Novo Conceito, a continuação “De repente Ana”. Apesar de não ter gostado muito da escrita de Marina Carvalho, estou ansiosa para saber qual rumo ela dará para sua personagem.




Em ‘Inferno’ Dan Brown volta a sua já manjada fórmula de caça ao tesouro frenética. Robert Langdon, professor de história da arte de Harvard, acorda em uma cama de hospital em Florença, na Itália, sem nenhuma memória recente. Em sua última lembrança ele estava andando tranquilamente pelo campus da faculdade.

Após tiros, sangue e perseguições, Langdon e a médica Sienna Brooks vão mergulhar no Inferno de Dante Alighieri, parte de seu poema épico “A Divina Comédia”, escrito no século XII e também na história de vida do poeta italiano.

Apesar de uma premissa interessante, uma vez que até hoje o Inferno de Dante causa temor, repulsa e ao mesmo tempo encantamento e estupefação, Dan Brown não consegue empolgar com a sua escrita, passando pelo ponto de vista de diferentes personagens, que servem para confundir o leitor e tentar dar mais dinamismo a leitura.

O diferencial desse livro é que Langdon não sabe o porquê de estar sendo caçado, nem tão pouco o que ele deve procurar. Há uma parte empolgante, quando os relacionamentos pessoais dos personagens parecem tomar um rumo um tanto inesperado. Porém, o final decepciona e a velha fórmula de Dan Brown parece finalmente ter achado seu prazo de validade.

Se há algo de bom em ‘nferno’ é apresentar Dante Alighieri para um público mais vasto, e quem sabe, suscitar a curiosidade deste em suas obras.

2 de julho de 2014

Referências musicais em Eleanor & Park



Conforme o prometido no post da resenha de Eleanor & Park, à medida que eu relia o livro fui anotando todas as referências musicais feitas pelos personagens. Então, segue a baixo para vocês todas elas e uma breve explicação sobre cada uma.

  •  Sex Pistols – Apesar de não ser a primeira banda de punk rock inglesa, os Sex Pistols foram os primeiros a chamar a atenção da mídia para o movimento. Seu primeiro e mais famoso álbum é o “Never Mind the Bollocks, Hehe’s the Sex Pistols”, que contém as famosas ‘God Save teh Queen’ e Anarchy in the UK’.
  • XTC – foi uma banda de new wave britânica, cujos maiores sucessos são ‘Making Plans for Nige’l, ‘Senses Working Overtime’ e ‘Dear God’.
  • Skinny Puppy – É um grupo canadense, ainda em atividade, de música industrial, mesclando várias influências com samples. O grupo é famoso por ter performances teatrais e com referências ao terror e à política.
  •   Misfits – É uma banda americana de punk rock, criadora do subgênero horror punk.
  •  The Smiths – Foi uma banda britânica, formada em Manchester, em 1982. É considerada a banda de rock alternativo mais importante dos anos 80 e da new wave. É uma das bandas mais famosas e com fãs até hoje, graças as letras fortes de Morrisey, que tratavam de sentimentos profundos e ativismo político. A banda acabou em 1987 e nunca mais se reuniu.
  • Echo and Bunnymen – É uma banda inglesa de pós punk e rock alternativo cujo principal hit é The Killing Moon.
  •  Joy Division – Foi mais uma banda britânica pós-punk, surgida em Manchester, em 1978. As músicas tratavam de temas depressivos e cotidianos com melodias melancólicas. A banda acabou em 1980 com o suicídio do vocalista Ian Curtis. A música mais conhecida do Joy Division é ‘Love Will Tear Us Apart’.
  • Dead Kennedys – É uma banda americana de punk rock surgida na Califórnia. O som deles mistura o punk com o hardcore e eles são conhecidos pelo forte posicionamento político anárquico e esquerdista.
  • Black Flag – É também uma banda de punk da Califórnia, mas cujo o som misturou o punk de poucos acordes do Ramones com pausas e letras que falavam de solidão, paranoia e neuroses. Hoje em dia o estilo da banda evoluiu com influências do heavy metal, jazz e música clássica. O nome – bandeira negra – é uma alusão ao símbolo do anarquismo.
  • The Beatles – Sério? Apenas a primeira e mais importante banda de rock de todos os tempos. 4 rapazes de Liverpool, Reino Unido.
  •   ‘Forever Young’ – É o grande hit da banda de synthpop alemã, Alphaville, lançada em 1984. Até hoje é um hino da juventude e de tudo o que ela significa.
  • ‘Summer of 69’ – É uma canção de Bryan Adams, lançada em 1985, mas que fala sobre suas férias de verão de 69 passadas em Portugal.
  •  Marc Bolan/ T. Rex  - Marc Bolan foi o vocalist da banda de glam rock T. Rex. Marc Bolan morreu jovem, em um acidente de carro. Sua banda foi uma das precursora do gênero, nos anos 70. As canções mais famosas são “Children of the Revolution”, “Get it On” e “ 20th Century Boy”.
  • Duran Duran – a banda surgiu em 1978 em Birmingham, Inglaterra. O som deles passou por muitas mudanças com o passar dos anos, mas o principal foco sempre foi o new wave e o new romantic. Eles ficaram famosos por juntar música, moda, elegância, e meninos bonitos.
  •   David Bowie – É um músico britânico, nascido em Londres. Ele é chamado de Camaleão do Rock não por acaso, já que é impossível defini-lo ou falar de seu trabalho em poucas linhas. Ele é só uma das figuras mais importantes do rock.
  •  Robert Smith - É um músico inglês, vocalista da banda The Cure. Seu visual, com olhos pretos borrados, batom vermelho borrado e cabelos bagunçados, juntos as letras sombrias, formam o início do que hoje se chama de gótico.
  •  Bonnie Raitt – é uma cantora de blues, folk, rock e country Americana, vencedora de 10 Grammys.
  • Judee Sill – Foi uma cantor folk Americana de grande talento, mas que morreu muito jovem de overdose.
  • Judy Collins  - É uma cantora Americana de estilo eclético, gravando e compondo folk, pop, rock e standards.
  •  Ozzy – Músico britânico, vocalista da banda Black Sabbath.
  •  Jimi Handrix – Foi um cantor, compositor e guitarrista americano. Só o maior e mais importante guitarrista da história do rock. Foi graças a ele que a guitarra se tornou um instrumento fundamental e cheio de artifícios, como microfonia, distorção, etc.
  • Deep Purple -  Surgida na Inglaterra em 1968 é uma das bandas criadoras do heavy metal. Suas músicas mais famosas são ‘Smoke in the Water’ e ‘Highway Star’.
  •  Jetro Tull – Mais uma banda inglesa pioneira, surgida em 1967. Apesar de misturar diversas influências, a banda foi uma das primeiras do estilo progressivo.
  • Cream – foi uma banda inglesa de blues rock, o primeiro supergrupo da história, com Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker.
  • Elvis Costello – músico britânico, começou nos anos 70 com um estilo pub rok, e depois evoluiu suas influências para o punk e a new wave. Elvis é um artista capaz de se reinventar e navegar por muitos estilos.
  • Vanilla Fudge – É uma banda de rock psicodélico norte americana.
  •  Canned Heat – É uma banda de rock e blues americana na ativa desde 1965.
  •  “Rubber Soul” -  É o sexto álbum dos Beatles.
  • “Revolver” – É o sétimo álbum dos Beatles, o primeiro da era psicodélica.
  • The Cure – Banda inglesa formada em 1976, sua sonoridade é muitas vezes definida como pós-punk, rock alternativo e rock gótico, apesar do líder da banda não gostar da última classificação. Porém, é certo que o The Cure criou o rock gótico.
  • Peter Gabriel – É um dos mais influentes músicos ingleses de todos os tempos. Começou no Genesis, uma banda de rock progressivo, mas em sua carreira solo ele flerta com o pop rock, o pop e é definido como world music.
  • U2 – É uma banda irlandesa de pós-punk, com músicas melódicas e cheias de texturas. As letras tratam de temas políticos e sentimentais, além de muitas referências à espiritualidade.
  •  Patti Smith – É uma das mulheres mais respeitadas do rock. Seu som misturava punk com ideais feministas, além de ideias intelectualizadas.
  • ‘White Album’ – É o décimo álbum dos Beatles, e seu verdadeiro nome é The Beatles. Ele é um álbum duplo.
  •  Helter Skelter – É uma música do White álbum, escrita por Paul McCartney. Ficou muito famosa por Charles Manson dizer que ela continha mensagens sobre o apocalipse e ter escrito as palavras Helter Sketer com sangue na parede após um de seus assassinatos.
  •   Scarbourgh Fair – É uma canção do folclore inglês, e vem da Idade Média, pois a Feira de Scarbourgh era um dos pontos comerciais mais importantes da Europa na época.
  • Minor Threat – Foi uma banda americana de hardcore e punk, cujas letras propunham não a destruição, mas sim a reconstrução.
  •  Dead Milkmen – É uma banda americana de punk rock satírica.
  •  Gleann Danzing – fundador do Misfits.
  •  Henry Rollins – Foi vocalista da Blck Flag.
  • Joe Jackson – é um músico britânico de new wave e pop.
  • Jonathan Richman – É um músico americano, famoso pelas suas letras sobre solidão e desespero. Ele integrou a banda The Modern Lovers.
  • Hall and Oates – é um duo americano de pop rock, soul e R&B, que nos anos 80fez sucesso misturando o rock new wave com soul.
  •  ' Meat’s Murder' – Segundo album do The Smiths.
  • ‘I wanna know what love is’ – é uma canção gravada em 1984 pela banda Americana Foreigner. No livro Eleanor diz que Park odeia essa música. Isso porque ela é uma música romântica e bem chiclete.
  •  Bon Jovi – É uma banda americana de hard rock, glam rock e country rock. Foi uma das principais bandas desses gêneros, fazendo muito sucesso principalmente com as garotas. Hoje a banda segue um estilo ‘cool’.
  •  Black Sabbath – A banda inglêsa foi criada em 1966 e ajudou a criar e definir o que se tornou o heavy metal, desde o estilo – rock pesado, distorcido e denso – até as letras com temáticas obscuras.
  • AC/DC – É uma banda australiana, criada em 1973. É uma das principais e pioneiras bandas do heavy metal. A música mais famosa é “Haighway to Hell’
  •   Led Zeppelin – Formado em 1968, na Inglaterra, o Led Zeppelin unia muitas influências – folk, blues, progressivo – e é considerada uma das mais importantes e influentes bandas de rock de todos os tempos exatamente por essa capacidade de união de estilos.
No próximo post eu trarei a lista de referências literárias, quadrinhos e filmes. Espero que vocês gostem! Não esqueça de deixar sua opinião nos comentários :) .





23 de junho de 2014

Tempos Extremos - Mírian Leitão


Soledade de Sinhá é uma fazenda perdida no tempo. Incrustrada entre os morros verdes mineiros, sem energia elétrica, três andares, pisos de madeira, janelões azuis. O que hoje é porão abarrotado de móveis velhos era a senzala.

Dona Maria José vai completar 88 anos em um feriado prolongado e convoca filhos, netos e bisnetos para a fazenda. Dias de união em frete a farta mesa, tudo feito no fogão à lenha. São 4 filhos: Hélio, militar aposentado. Sônia, a dona da fazenda, economista bem sucedida, rica mesmo. Alice, militante política de esquerda desde os 18 anos até hoje. Marcos, o caçula sonhador, tocador de violão e sem trabalho fixo.
Quatro irmãos de personalidades tão distintas. Hélio teve dois filhos. Sônia, nunca achou o amor. Marcos têm um casal, ambos cresceram distantes do pai. Alice só tem Larissa. A ‘estranha’, calada e tímida Larissa. Cujo pai ela nunca conheceu, preso pelo Regime Militar, assim como Alice, Carlos entrou no DOI, mas nunca saiu. Não morreu, é ‘desaparecido’ político.

Larissa se formou jornalista, mas um dia não quis mais a pressão da redação e começou uma segunda graduação, em história. E em suas andanças solitárias pelo casarão, seja em meio à luz do dia ou da escuridão total, ela reflete sobre seu futuro, sobre o pai que nunca chegou, sobre os escravos que ali sofreram, sonharam com a liberdade, com um futuro sem segregação.

O século XIX e XXI se envolvem de maneira inesperada, criando duas linhas narrativas complementares. Dois tempos extremos, muitas dúvidas, muitas paixões, muitas brigas ganhadas e muitas perdidas. As feridas do Brasil escravocrata e do Brasil do Regime Militar são sempre expostas, estão sempre sangrando, inquietas, buscando respostas.
A narrativa de Mírian é arrastada, como a fala do mineiro, dando espaço aos sentimentos, as interpretações. Muitas ideias são repetidas muitas vezes, extenuantes. Outras ficam implícitas, deixadas a cargo do leitor descobri-las e entende-las a sua maneira.

As falas dos personagens muitas vezes lembram os diálogos do teatro. Longos, explicativos, pomposos. Não à toa a tragédia grega Antígona, de Sófocles, permeia a obra.



Minhas Impressões:

Desde o começo esse livro me pegou pelas memórias, pelos sentimentos compartilhados. A fazenda, o mato, o café coado, o pão de queijo, as mesas fartas. Sentia os cheiros, os gostos. Meu avô materno era mineiro e a mineirice é patrimônio da família.

Mas meu avô também era do partido comunista nos tempos da Ditadura. Quase foi preso, integrou movimentos de resistência. Morreu acreditando que nosso país ainda tinha jeito.

Durante a leitura as descrições dos locais me fascinaram e me fizeram sentir saudades. As injustiças me deixaram agoniada, com uma raiva que só sentem os impotentes diante do que nada se pode fazer. Meu único problema foi que ás vezes os personagens se tornavam muito repetitivos. De resto, o livro é excelente.


Mixtape 

Todo o livro é permeado por referências à músicas brasileiras, algumas antigas, outras mais novas e uma única música internacional, de Nina Simone. Como as músicas são todas muito lindas, resolvi criar um mixtape no 8tracks com todas elas para vocês :)


11 de junho de 2014

Eleanor & Park – Rainbow Rowell


Agosto, 1986

É assim que começa o romance da americana Rainbow Rowell, quando Eleanor vai começar o semestre em uma nova escola. Park não consegue fazer com que o volume de seu walkman cubra as conversas idiotas dos colegas. Eleanor sobe no ônibus escolar, todos os olhos se voltam para ela. Eleanor é grande, gordinha, com um emaranhado de cabelo ruivo e roupas estranhas. Park não quer uma companhia no seu assento no ônibus, mas no fim ele manda a estranha garota nova se sentar.

E a partir desse dia os dois vão sentados lado a lado para escola. Eles nunca se falam. Mas Park lê quadrinhos e Eleanor começa a ler junto com ele. Ele empresta mais quadrinhos para ela. Ela lê. Eles nunca se falam.

How Soon Is Now?


Até que um dia Park não aguenta mais o silêncio ensurdecedor e vê o título da música do The Smiths rabiscado em um dos livros de Eleanor. Ele pergunta a garota se ela gosta da banda. Ela responde que nunca escutou e Park fica chocado com a grosseria. No final do dia Eleanor conta que as músicas escritas nos livros são as que ela gostaria de um dia conhecer. No dia seguinte Park leva para ela uma fita com How Soon is Now? E também Love Will Tear Us Apart, do Joy Division. Eles começam a conversar.

Pode parecer, pelo resumo que eu fiz, que o livro trata de um típico romance adolescente, só que com um pouco de rock new wave e HQ’s. É isso também (o que só acrescenta!), mas é um romance único, protagonizado por dois personagens únicos. Rainbow Rowell conseguiu transformar as angústias, inseguranças, e o sentimento de deslocamento da adolescência em um livro que me fez chorar a cada 10 páginas.

Nem todo mundo vai se identificar com Eleanor e sua família despedaçada, seu crescimento forçado e ao mesmo tempo sua grande ingenuidade. E nem todo mundo vai se identificar com os dilemas de Park, sua família perfeita de subúrbio americano e sua obsessão por música. Mas para àqueles que se identificam, esse livro vai despertar os mais diversos e conflituosos sentimentos e lembranças.


Só para constar, o livro mexeu tanto comigo que eu terminei, chorei por quase meia hora, e no dia seguinte comecei tudo de novo. E no final, chorei de novo.

A minha edição é a americana, em capa dura. Eu comprei pelo Book Depository. 





MIX TAPE: 






A mix tape trás várias das músicas e artistas citados no livro. A próxima postagem trará os livros, HQ's e outras referências pop's presentes no livro.

6 de junho de 2014

Orange is The New Black + SORTEIO


Já imaginou se sua vida estivesse ótima, com um bom emprego e prestes a se casar, e a polícia batesse a sua porta? Pois é isso que acontece com Piper Kerman. Anos atrás, na época da faculdade, Piper namorou um traficante que a convenceu a levar uma maleta cheia de dinheiro para a Europa. Agora ela terá de passar quinze meses na cadeia para pagar por seu momento de fraqueza.

No livro que inspirou a série do Netflix, Piper conta as histórias, verdadeiras, que presenciou e escutou dentro do presídio, desfazendo conceitos pré-estabelecidos e preconceituosos sobre as mulheres que se envolveram com o crime.


Em #OITNB somos apresentados também ao duro sistema prisional americano, o que levou Piper a se envolver com o movimento a favor de uma reforma nesse sistema, além de ser do concelho da Associação de Mulheres na Prisão.


Hoje, 6 de Junho, estreia a segunda temporada de Orange is the New Black, no Netflix. O livro estará nas livrarias de todo o país a partir do dia 9. Não perca!



O blog The Dandelion in Spring, em parceria com a Editora Intrínseca, vai sortear para o leitores um exemplar do livro + uma camiseta da série!  Para participar basta preencher o formulário abaixo e estar inscrito/seguindo o blog e o canal do YouTube (http://youtube.com/stelaaquino)



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30 de maio de 2014

A Tenda Vermelha - Anita Diamant

Na Biblía, Dinah é a única filha de Jacó, nascida de sua união com sua primeira esposa, Lia. Na Bíblia, Dinah aparece no Gênesis, 34 E saiu Diná, filha de Lia, que esta dera a Jacó, para ver as filhas da terra. E Siquém, filho de Hamor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a. E apegou-se a sua alma com Diná, filha de Jacó, e amou a moça e falou afetuosamente à moça. ”



Porém, em A Tenda Vermelha, Anita Diamant dá voz as mudas mulheres da Bíblia, expressando seus sentimentos, desejos, aflições e conhecimentos sobre a vida e a morte. A história começa quando a jovem Raquel conhece seu primo, Jacó, à beira de um poço e os dois se apaixonam. O pai de Raquel, Labão, não aceita que a filha mais nova se case, e depois de algum tempo, Jacó casa-se com a filha mais velha de Labão, Lia, irmã de Raquel. (Até ai, a história é idêntica àquela contada no livro sagrado).

Jacó ainda casa-se com outras duas mulheres, irmãs ilegítimas de Raquel e Lia, Bilah e Zilpah. A primeira parte do livro se debruça sobre essas quatro mulheres, tão diferentes entre si e todas habitantes do mesmo espaço. Lia é a mulher forte e decidida, que mantém toda a família unida e funcionando. Raquel é a força amável e bela e que se torna a parteira e curandeira da aldeia. Zilpah é a guardiã da força religiosa feminina e Bilah é a força aplacadora e equilibrada.


A cada lua nova, todas as mulheres se reúnem na Tenda Vermelha, onde passam três dias e três noites em repouso absoluto durante o período da menstruação. Esse é o único momento em que as mulheres não têm afazeres domésticos e podem dedicar-se somente a si a seus filhos pequenos. É na Tenda também que são trocados segredos, confissões e experiências do mundo das mulheres. E é nesse ambiente que nasce e cresce Dinah.


A segunda parte do livro é narrada pela própria Dinah, contando sua infância, a longa jornada até Canaã, a descoberta do amor com o príncipe Shalem e a dor de ser mulher em um mundo que as ignora.


Mais do que um belíssimo romance bíblico, A Tenda Vermelha narra a história de incríveis mulheres, que mesmo tendo existido tantos séculos atrás, ainda têm muito a nos dizer. A narrativa de Diamant é delicada e apaixonante, além de um relato histórico extremamente bem feito.
 






Esse livro chegou em minhas mãos quando eu tinha 16 anos. Ele era de uma outra pessoa, mas parece que o destino o enviou pra mim. Me apaixonei tanto pela história que essa pessoa, que havia ganhado o livro de presente de um amigo, resolveu dá-lo para mim. 

Agora eu o reli aos 24 anos. As impressões quanto a qualidade é a mesma, mas as percepções são outras. Esse é um livro que não se esgota. Fala com todas as meninas, moças, mulheres, de qualquer idade, de qualquer tempo.